ARTIGOS
A
morte da salsa
por Abel Delgado
Cortesia Descarga.com
Tradução de Marina Quintela e Jonas Ribeiro
10. Façamos tréguas por um momento
Falei da música afro-latina no passado como se já não houvesse nenhuma esperança. Felizmente as coisas não estão assim tão negras, embora se aproximem disso. Enquanto que a salsa comercial é dominada por um bando de autómatos que não sabem cantar, há mesmo assim alguns artistas que nos alimentam a esperança. Por exemplo, Jimmy
Bosch é um operacional de Salsa Dura e que afasta com um simples sopro do seu poderoso trombone os meninos bonitos parisienses. E ele merece, sem qualquer hesitação, os vossos 15 ou 20 euros. José Alberto também não esqueceu que era um Sonero e gravou álbuns brilhantes, chegando mesmo a honrar a herança de Machito há alguns anos. Óscar d’León e Cheo estão sempre na frente, agraciando-nos com toda a sua experiência vocal. Célia, do mesmo modo, é também um caso à parte e sempre um consolo [7] ouvir. O problema é que estes artistas, bem como outros tão talentosos quanto eles, devem lutar para sobreviver no mundo da salsa de hoje, em que o look e o marketing prevalecem face ao talento e à tradição.
NOTA
[7] Infelizmente, Célia Cruz faleceu em 2003, após a publicação deste artigo.

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Ray
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