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ARTIGOS
A
morte da salsa
por Abel Delgado
Cortesia Descarga.com
Tradução de Marina Quintela e Jonas Ribeiro
14. Os contos de fadas na salsa latina
Para terminar, regressemos às histórias. Elas são muito importantes na música cubana moderna mas, por vezes, compreender a história requer um pouco de atenção. Por exemplo, a afirmação de Manolin em «Somos Lo Que
Hay» é que «unos dicen que somos la paz, otros dicen que somos la guerra», o que não é muito compreensível quando se ouve, particularmente a primeira parte, na qual se diria que ele canta a uma mulher. O que realmente acontece é que Manolin tem muitos rivais na esfera musical cubana e refere-se aos conflitos entre os grupos. A canção conta efectivamente a história das lutas do grupo e reafirma a sua popularidade (“Somos Lo Que
Hay, Lo Que Se Vende Como Pan Caliente...”), fazendo uma espécie de desafio aos seus rivais. Existem muitas outras canções deste género. Os Van Van adaptam à sua música crónicas sociais da vida diária em Cuba. Por exemplo,
«La Chopimaniaca» fala de uma compradora compulsiva nos centros comerciais que acabam de abrir em Cuba. Outras canções falam de amor, mas esta temática pode tomar rumos inesperados. Em “La Tremenda”, de
Bamboleo, o cantor conta que está apaixonado por uma linda prostituta e explica alegremente como se resigna com tal facto visto que ela o sustenta. Em
«El Temba» da Charanga Habanera, o cantor explica à sua companheira que não pode casar-se com ela porque não tem dinheiro, e aconselha-a a procurar um homem que tome conta dela. Por mais estranho que possa parecer, isto reflecte a sociedade cubana, na qual as mulheres se vendem aos estrangeiros na esperança de poderem casar com um para abandonarem a ilha.

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Ray
Barretto
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