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ARTIGOS

A morte da salsa
por Abel Delgado 
Cortesia Descarga.com
Tradução de Marina Quintela e Jonas Ribeiro

 

15. Para concluir 
Então, o que é que nos resta? Uma batalha, diria eu. Não obstante tudo o que fazem os cubanos, a sua música não se vende. Além de não beneficiar de promoção, há também um pequeno problema que se chama embargo. Mesmo sem isso, os que preferem a romântica não apreciam muito a salsa cubana. Reparei nisso por várias vezes nos clubes: quando há romântica, as pessoas dançam, quando a cubana chega fogem da pista. É uma música muito fora do vulgar, muito difícil de dançar. A música cubana não está em vias de substituir a salsa pop. Alguns falam do regresso da salsa dura, mas isso não se nota ainda a nível de vendas. 
O que é assustador é que há cada vez menos lendas vivas, e ninguém se acotovela para as substituir. Alguns exemplos: nos anos 60 e 70, tínhamos Miranda, Lavoe, Colón, Marrero, Blades e muitos outros. Nos anos 80, Franky Ruiz, Luis Enrique, Luisito Quintero, Giovanni e alguns mais. E nos anos 90? Huey Dunbar, com a sua voz rouca e o seu cabelo às cores? Frankie Negron? Nem pensar. Há muitos jovens, mas isso não chega. Eu já não sei nada. Talvez não estejamos ainda a contemplar a morte da salsa; talvez ela não esteja completamente morta, mas pronta a encontrar novas «presas». Mas o caso é grave e, mesmo que vocês tenham um disco de Maelo, tal como uma cruz, para vos proteger da salsa pop, isso não impede que Marc Anthony seja um dos maiores vendedores, e até uma referência em matéria de salsa. Quando se pensa que ele nem sequer sabe soletrar “improvisar”, e ainda menos fazê-lo, que tem a presença cénica de um velho macaco de pelúcia e o inacreditável mau gosto de cantar “I Will Survive” em versão salsa, as nossas protecções não chegam para tanto.
Então, o que fazer ? para além de educar as crianças para que elas percebam a pobreza da salsa romântica, não se pode fazer muito mais. E a educação não é assim tão fácil, acreditem-me, já experimentei. Vocês não podem falar de princípios a uma população que compra milhões de discos dos Backstreet Boys. Já que não posso proteger as modas nem os clubes, será necessário que me proteja a mim próprio. Mais ainda do que ceder à salsa monga vou barricar-me atrás de um muro isolador, o do sabor dos 70 últimos anos, incluindo, obviamente, a música cubana actual. Perdoem-me por utilizar esta velha metáfora de vampiro, mas tenho necessidade de sangue fresco. E resistirei o tempo que for necessário até que os reforços cheguem.
 

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