ARTIGOS
A
morte da salsa
por Abel Delgado
Cortesia Descarga.com
Tradução de Marina Quintela e Jonas Ribeiro
7. O fim dos solos
Em termos de improvisação, os solos não existem. Obviamente, vocês podem sempre ouvir alguns excertos de metal, uma improvisação aqui ou ali, mas posso garantir-vos que já não há nenhum solo de flauta como o de Art Webb em “Canto Abacuá” ou como o cintilante trabalho artístico dos pailas [6] de Oquendo em “Anabacoa”. A atenção está centrada nos cantores / cantoras e no grupo (não é suposto os músicos brilharem). Já não se trata de um trabalho de equipa, mas sim de fazer sobressair o bonito rapaz ou a bonita rapariga que cantam. Já não há lugar para que um saxofonista se solte ou que um tocador de timbales se entregue totalmente, como fez Endel Dueño em “Herencia Rumbera” de Roberto
Roena.
E as belas gargantas não improvisam, mesmo que esta tradição faça parte da própria essência da salsa. Um célebre produtor disse-me um dia, aquando de uma entrevista, que escrevia as “improvisações” dos cantores e os fazia repeti-las antes das gravações a fim de conseguirem a melhor intonação..., como bons pequenos papagaios. Se vocês forem assistir a concertos dos cantores modernos vereis apenas a repetição, palavra por palavra e nota por nota, do que podem ouvir no disco. Nenhuma interacção com o público, nenhum comentário, nada de novo, apenas um ersatz pré-empacotado que os
«soneos senoritas» poderão retomar em coro.
NOTA
[6] paila ou paila criolla : nome cubano dos timbales.

VOLTAR
|


Manolin El
Medico
|