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CUBA
TE LLAMA!
Dj
Jonas
EM DIRECTO DE HAVANA
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Crónica
Diária do Dj Jonas
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| 24
DEZ
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SEGUNDA JORNADA
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outros
dias
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CHARANGA
MUITO
HABANERA
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Havana não é uma
cidade fácil para um estrangeiro. As pessoas são
muitíssimo simpáticas! Tão simpáticas como, por vezes,
insuportáveis. Mas é isso que faz desta mole humana de
dois milhões um agregado urbano particular.
Comecemos por um assunto de ordem prática. Usar Internet
aqui é uma experiência desgastante. Tal como há
cinco ou seis anos em Portugal, contam-se pelos dedos de
uma mão os locais de acesso público à rede e as
ligações têm banda muito estreita. Ontem efectuei três
tentativas frustradas para aceder ao servidor de páginas
Geocities, no qual está alojado este sítio. A primeira,
logo pela manhã, no Hotel Presidente, permitiu-me em
trinta minutos - pelo preço de 3 dólares - ler as minhas
mensagens de correio e nada mais... A segunda, no Museu da
Ciência - que estará fechado de 25 a 29 -, foi como a
entrada numa floresta de vírus sem guarda. A terceira, no
Hotel Inglaterra, mais pareceu um passeio de carroça. Só
às quatro da manhã seria possível, pela quarta
tentativa, nos computadores do Hotel Presidente e com
poucos sobressaltos, colocar disponível a crónica
relativa ao dia 23. A partir de hoje será este o único
local de operações de actualização do diário.
Sair do Hotel na pele de turista significa oferecer-se à
curiosidade simpática e «interessada» dos locais. Cinco
metros de caminhada foram suficientes para a primeira
abordagem: dois estudantes de hotelaria oferecem-se como
guias, desfiando copiosas informações sobre as várias
moedas em uso - dólar americano, «peso convertible» e
peso (o euro é pouco conhecido e pode ser pretexto para
inflacionar um preço) -, os locais de acesso à Internet,
onde provar comida típica (boa, abundante e barata,
dizem), entre muitas outras considerações que nem sequer
evitam a «questão» política quando nos aproximamos da
Praça da Revolução nem dispensam a sugestão de que os
sigamos à distância quando saímos do Capitólio «por
causa da polícia», por entre um olhar preocupado para o
outro lado da rua... Verdade ou ficção? O certo é que
este é um dos muitos modelos de recepção ao turista,
que quase sempre acabam em pedidos de ajuda nos mais
variados problemas da vida destes actores sentimentais e
sedutores.
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Um
«paladar» é um pequeno restaurante típico privado com
poucos pratos mas muita genuinidade. No Restaurant Fénix,
na Calle Animas, nº 273 (Centro Habana) come-se
esplendidamente. Enchilada de Langosta, Camarones
e Filete de Pescado Grillé (pargo Grelhado) são boas opções, pelos preços de 20 (os
pratos de marisco) e 17 dólares (o peixe). Os
acompanhamentos são Arroz con Frijoles, Patata Cocida e
Ensalada Mixta. A dona faz questão de servir |
refeições
muito completas e está pronta para «envergonhar» quem
queira pedir uma dose para duas pessoas ou duas doses para
três...
| Já
referi que caminhar pelas ruas oferece a cada
passo um enorme risco provocado pela simpatia
das pessoas. Se os homens nos recebem
muito bem - oferecendo informação muito útil
e variada, |
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incluindo os contactos das melhores
amigas -, as mulheres estragam-nos com mimos como
bailar «aprietado» e convidar-nos para «su
casa» em menos de 15 minutos. Antes de uma hora
de conversa, escrevem nervosamente a sua
direcção - para que as visitemos e não as
esqueçamos - e suspiram pela hora da nossa visita
e o dia do nosso regresso a Cuba, desejosas de
convencer que nos adoram. «Mi amor, mi casa es tu
casa». Numa só tarde seria possível, se
quiséssemos, conhecer todas as divisões de
muitas casas em Havana. Muita gente oferece
estadia. Claro que os «pedidos de
ajuda» são igualmente frequentes.
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Macumba
é o nome de uma discoteca situada a cerca de 20
kms a oeste do centro, em San Agustin. Toda a
gente a conhece, por ser um local muito desejado.
O espaço é igual a muitos outros existentes em
Espanha e Portugal: uma cobertura metálica de
linhas modernas, usando |
| palmeiras
e vegetação como paredes, com muita mesas,
iluminação de cores variadas, serviço de
refeições e animação a partir das onze. Pelo
custo de 20 dólares - leia-se, dois meses e meio
de salário de um médico -, o programa incluiu os Buena
Fé (música contemporânea como baladas e outras)
e a Charanga Habanera. Esta última foi,
aliás, o motivo da minha presença. |
David
Calzado é o líder desta banda, que nos últimos anos
se tornou uma das mais famosas de Cuba. O seu repertório
é basicamente timba, o género musical dominante aqui.
Misturando ritmos de rap com uma muita agressiva e
polirrítmica salsa e um forte sabor a rumba, esta
orquestra aparece com bailarinos muito sugestivos. A
audiência, em número de cerca de 400 pessoas, era
maioritariamente constituída por raparigas jovens,
turistas e alguns cubanos.
Este foi um dia muito intenso. Fui permeável a várias
investidas da parte de cubanos e acabei por retribuir
tanta atenção, convidando algumas pessoas para comer ou
beber e visitando algumas das suas casas. Comi «cerdo»
assado com a família Borges e contribui para preencher o
seu frigorífico com alguns dos produtos mais desejados. A
minha noite de Natal foi absolutamente cubana: depois de
uma ceia familiar, saí para dançar, a exemplo de muitos
jovens. Havana é um imenso baile.
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A
música que estás a ouvir intitula-se «Cuba Te Llama»
e é da autoria do grupo Mamborama
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TIMBA
A TIMBA (ou Hipersalsa), não é um ritmo mas uma nova
sonoridade. Também denominada Pop Caribenho, nasce
em CUBA com a base do Són pela mão de Manolín
"el Medico de la Salsa" - dizem uns - ou
de NG La Banda - dizem outros.
A
TIMBA caracteriza-se pela fusão de Són, Salsa, Rap
e Pop. A dança é totalmente livre, realizando-se em
par ou de forma individual com movimentos espasmódicos
de todo o corpo e gestos com as mãos que os
dançarinos improvisam.
A
maioria dos actuais grupos cubanos (Los Van Van, La
Charanga Habanera, NG La Banda, Issac Delgado, Carlos
Manuel, etc.) adoptaram a TIMBA, acompanhando-a de
coreografias espectaculares por parte de músicos,
cantores e, por vezes, sugestivos bailarinos.
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