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CUBA
TE LLAMA!
Dj
Jonas
EM DIRECTO DE HAVANA
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Crónica
Diária do Dj Jonas
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| 25
DEZ
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TERCEIRA JORNADA
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outros
dias
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HOSPITALIDADE
E
ILUSÃO
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Cuba vive uma crise
económica profunda, baseada no histórico défice de
desenvolvimento comum aos países do terceiro mundo, nas
dificuldades de concretização do sistema socialista, na
interrupção da ajuda soviética (desde os anos 80) e,
para cúmulo, no embargo norte-americano.
No entanto, a mentalidade aberta, alegre e comunicativa
dos cubanos deixa desconcertado qualquer um. Este povo
está sequioso de absorver todas as novidades do mundo.
Falar sobre quaisquer assuntos é uma proposta que se
recebe várias vezes por dia.
No Bar Chan Chan, situado na Calle San Rafael, uma ruela
estreita e movimentada que liga a Calle Galiano ao Paseo
de Martí na zona do Parque Central, encontrei um barman
que não só me serviu um esplêndido mojito - açúcar de cana branco, sumo de lima, hortelã (hierba
buena) esmagada, rum branco e água mineral com gás -
como se tornou um amigo. Gosta de música e dança, além
de estar interessado em ter uma experiência profissional
no estrangeiro - «pelo menos por dois ou três meses»,
disse-me, «para ganhar algum dinheiro e montar um pequeno
negócio aqui no regresso». Jorge é um indivíduo
com 26 anos e cerca de 1,70 m, olhos negros, pele triguenha e cabelo
negro, como qualquer descendente dos índios que faziam
parte da população residente no território à data da chegada
de Colombo.
Tínhamos travado conhecimento ontem. Hoje, à hora
marcada, Jorge foi buscar-me ao hotel para me levar a casa
da sua família. Apanhámos um coco táxi - pequeno
veículo motorizado com capacidade para três pessoas -
e fizemos cerca de 10 km até Marianao. Esperavam-nos a
sua sogra, a sua mulher e alguns amigos mais próximos.
Hoje é dia de Natal e as pessoas reúnem-se para
almoçar.
Ao chegar, logo apareceram copos, uma garrafa de rum Bocoy
- alternativa popular
ao Havana Club, uma vez que «o Bacardi saiu de
Cuba após a revolução» e não merece
ser primeira opção - e um prato de tostones -
fatias de
banana-da-terra fritas em óleo a temperatura média, esmagadas
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e fritas em óleo a ferver, servidas como
batatas fritas - e chicharritas - courato de porco
torrado. Pouco tempo depois, surge um puro habano e o
cheiro a cohiba inunda a sala, enquanto uma compilação de salsa, timba,
merengue, reaggaeton e pop latino
- adiante falaremos melhor sobre música - começa a soltar toda a
gente.
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| Jorge
vai buscar a amiga Dolores e começa a dançar,
enquanto eu falo com Nelson sobre música. Este
tem em casa uma aparelhagem potente, com a qual
organiza peñas, |
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umas
matinés para os vizinhos e amigos do povoado -
fomos vê-la e ouvir música em alto volume na sua
casa pouco depois - e fala-me dos grupos e da
música que lhe preenche a alma. À cabeça,
começa logo pelos Van Van: «são os maiores»,
enquanto escolhe Sandunguera, uma canção do
grupo. Depois refere a Charanga Habanera e também
Isaac Delgado, Paulito FG e NG La Banda como os
melhores nomes do momento. Mas Manolin e Willy
Chirino, que «estão fora» - disse - são «lo
maximo». Fala-me ainda do reggaeton, essa género
musical que está a deixar loucos os jovens, com
características de reggae e hip-hop. Logo veio
Jorge que, numa pausa do compasso quaternário, me
entregou Dolores para uma dança com muito swing e
pouquíssimas voltas. Um puro cohiba foi-me de
seguida entregue, já acesso, para partilhar com o
meu amigo índio.
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A
família de Jorge presenteou-me de seguida com um
almoço de cerdo - carne de porco -
acompanhado de arroz con frijoles e salada de
alface e pepino. A sogra de Jorge já teve em
tempos um paladar e viu-se forçada a
deixar esse negócio pela dificuldade em pagar ao
estado a taxa respectiva. |
Jorge
disse-me, então, que os 8 dólares que ganhava de
propina mensal o levavam a sonhar em outros
projectos e começámos a pensar em algo que desse
aos turistas algo mais da riqueza cultural do
país.
Esta tarde foi a mais interessante do ponto de
vista humano desde que cheguei. Ter sido recebido
por esta família com hospitalidade foi um
privilégio que vou recordar por muito tempo.
Relevo o «charuto da paz», a conversa musical de
Nelson e a ilusão de Jorge por um futuro melhor a
conseguir através de uma actividade participada
por um estrangeiro.
Era já noite quando Jorge me foi levar a um táxi
e disse para me sentar no lugar da frente e não falar. «Assim o taxista não te cobra
mais do que o devido, porque não sabe que és
estrangeiro», numa alusão ao preço de 11
dólares que o condutor do coco táxi nos
extorquira na vinda. Quando a viatura parou, abriu
a porta da frente, mandou-me entrar e disse ao
homem o destino, enquanto lançava um pedido:
«cuide me lo bien, por favor». Fiz a viagem
quase de olhos fechados e paguei 6 dólares. |
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A
música que estás a ouvir intitula-se «Cuba Te Llama»
e é da autoria do grupo Mamborama
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